quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fore-Edge Book Painting - As pinturas escondidas atrás de ouro! - Parte I

     Se você nunca ouviu falar nesse assunto comece assistindo este vídeo de 15 segundos de duração:
                                                   http://youtu.be/s5BU06uUQUg                                             

    Pintar o corte da frente (oposto à lombada) das páginas dos livros (também chamado de goteira) é uma arte que data possivelmente do séc.10 na Europa, mas foi em meados do séc.17 que os ingleses começaram a desenvolvê-la levando-a ao apogeu no séc.18 e início do 19 sob a égide dos famosos editores, livreiros e encadernadores "Edwards de Halifax".
  Em seus primórdios consistia basicamente na marcação do título da obra diretamente sobre o corte do livro fechado permanecendo visível sempre que o livro estivesse nessa posição. Eram tempos medievais, em que os livros, grandes demais, tinham que ser arquivados deitados, com o corte virado para fora. 
   Posteriormente, quando as folhas de pergaminho foram sendo substituídas por papel possibilitando reduzir-se o tamanho e o formato dos livros e arquivá-los verticalmente, a marcação do título passou a ser feita na lombada cedendo o lugar nas bordas para monogramas, símbolos heráldicos ou retratos que identificavam os proprietários. Faz parte do acervo do Museu Britânico um Novo Testamento impresso na Antuérpia em 1534 que Anna Bolena carregou ao cadafalso e em cujo corte ela própria marcou com tinta vermelha " Anna Regina Angliae ".
  Porém, gradativamente, ao descobrir-se que se as pinturas fossem feitas ligeiramente mais para dentro das bordas e depois estas fossem submetidas à douração ou marmorização, elas permaneceriam ocultas revelando-se apenas quando o bloco de páginas do livro fosse inclinado, num efeito ilusório de aparece-desaparece, pinturas elaboradas de motivos florais, paisagens, cenas esportivas, religiosas ou eróticas passaram a fazer parte da decoração dos volumes embelezando e enriquecendo a encadernação.
    Esses desenhos podiam ilustrar uma cena do livro, apenas estar relacionados com o assunto do livro ou não necessariamente, sendo aplicados em bíblias, livros de orações, de poesias ou clássicos.
    As pinturas raramente eram assinadas e na maior parte dos casos tudo o que se sabe é que determinados artistas trabalharam para este ou aquele encadernador em particular. Entre os poucos artistas que se identificaram está Miss C. B. Currie, que trabalhou para os encadernadores "Riviere and Son", em Londres,  no final do séc.19 e começo do séc. 20. Alguns exemplares de sua obra podem ser encontrados em Harvard, The Huntington Library, Clark University Library, no  Art Institute de Chicago e em coleções particulares.
    O que torna possível estimar a época em que foram pintadas é a identificação do encadernador do livro, o estado geral da encadernação, a intensidade das cores das pinturas e características dos pigmentos, o motivo ou tema das imagens, o ano de edição do livro (embora muitas vezes a decoração seja aplicada vários anos após o exemplar ter sido editado), o ano em que a obra foi escrita, etc.

                                                                        Técnica

    Para que as pinturas sejam realizadas, o bloco de páginas (ou miolo) já deverá ter sido perfeitamente refilado e o livro estar encadernado. A seguir, com apenas uma das capas aberta e o livro apoiado horizontalmente na outra e com o bloco de folhas mantido numa posição chanfrada (ou oblíqua) da 1ª página de cima até a última, se formará um painel no corte no qual será pintada a imagem.


Martin Frost
 
    Pode ser feito previamente um leve esboço à lápis do desenho que será pintado. A tinta utilizada é a aquarela em pastilhas e o pincel (fino) deve aplicar as tintas tão seco quanto possível e em pinceladas perpendiculares às páginas ( a aquarela em tubos tem consistência líquida demais para essa técnica).          
    Somente após a secagem completa da pintura poderá ser feita a douração dos cortes do bloco, que manterá a pintura completamente velada e protegida. Se a douração não fôr feita adequadamente as pinturas aparecerão através do dourado mesmo quando o livro estiver fechado:

                                       (Figuier, Louis. Les Races Humanes . Paris: Librairie Hachette et cie, 1872.)
                                                                    (From the George M. & Frances L. Gill Collection)

    A ilustração pode ser horizontal ou vertical, frontal (fore-edge), dupla (two-way double), dupla dividida (split double), em todos os cortes (all-edge) ou panorâmica (panoramic).
                                                           
  Swift, Jonathan. Gulliver's Travels: Into Several Remote Regions of theWorld. London and NewYork: George Routledge and Sons, 1885. (From the George M. & Alice Gill Collection)                                             
                                                                                        
    Frontal, quando a pintura é feita na borda frontal do bloco de páginas (goteira)  flexionado apenas para um lado (em geral o direito):

 
                                                                       [Diana With a Handmaid.] Boston Public Library
                                                                                                              
    ["The Last Supper," after Leonardo Da Vinci.] Boston Public Library 

                                       [Edward VI with Lady Jane Gray.] Boston Public Library
 
    
                                          [Carrick Castle in Argyll, Scotland.]Boston Public Library

                          ["The Cries of London": Peas, Strawberries, Cherries.] Boston Public Library
                            
    Dupla, quando pinturas são aplicadas em ambos os lados do corte frontal (goteira). Nesse caso, se flexionarmos as bordas das páginas para o lado direito aparecerá uma imagem e se fizermos isso para o lado esquerdo aparecerá outra imagem:

                                                    

           Pintura dupla da goteira revelando de um lado Ross Castle e do outro Old Weir Bridge em Killarney, Irlanda(Moore, Thomas. Lalla Rookh: An Oriental Romance . London : Longman, Rees, Orme, Brown, and Green, 1826.) (From the George M. & Frances L. Gill Collection)  
                             
    Por requerer muito maior habilidade do pintor (em não permitir que as tintas da 1ª pintura manchem a 2ª  e vice-versa), muito mais tempo na realização e consequentemente um custo muito maior, a dupla pintura do corte é mais rara do que a simples (ou única).  Menos de 7% das pinturas existentes em coleções privadas ou acervos públicos são de pinturas duplas.

  Dupla dividida, quando o livro é grosso o suficiente e o bloco é dividido no meio e pintado separadamente:


                                                                        Martin Frost        
    Neste caso cada metade ainda pode ser pintada em ambos os sentidos de inclinação das bordas das páginas obtendo-se então 4 imagens ao todo.

     Em todas as bordas (ou cortes), quando a borda de cima, a debaixo e a frontal são decoradas:
                                              
              
                                                       
                                                                                    
       Panorâmica, quando a borda de cima, a debaixo e a goteira recebem uma pintura contínua que envolve o livro num efeito surround:

                                                                                                
    Ainda no séc.19 a arte alcançou a América, onde floresceram alguns artistas cujas obras estão em coleções particulares, bibliotecas ou museus, mas a produção ali não chegou a ser significativa. A maior parte dos livros com bordas decoradas encontrados nos Estados Unidos, embora retratem cenas de cidades como Boston, Filadélfia ou Nova Iorque, foram pintados na Inglaterra por artistas ingleses ansiosos por conquistar a clientela abastada americana.
    Mas a decoração das bordas de livros é praticada até os dias de hoje tanto na América como na Europa e até na Ásia por habilidosos pintores tais como o britânico Martin Frost, o mais conhecido e ativo artista contemporâneo, que tem decorado milhares de livros ao longo dos últimos 40 anos.

                                                                        Martin Frost
     Além do trabalho artístico Frost também dá palestras e workshops em outros países.
     Existem várias coleções importantes de livros decorados com essa técnica pelo mundo, mas dentre elas a da Biblioteca Pública de Boston é uma das melhores dos EUA com um acervo de 258 livros que desde que foram doados em 1951 permaneceram como um tesouro secreto da Biblioteca mas que agora, pela primeira vez, vêm a público através de uma exibição virtual maravilhosa que vale a pena ser visitada no site:
                                                 http://foreedge.bpl.org/gallery


   Bibliografia: "A Thousand and One Fore-Edge Paintings, With Notes on the Artists, Bookbinders, Publishers and other Men and Women connected with the History of a Curious Art" -  Carl J. Weber, disponível para leitura em:
http://posner.library.cmu.edu/Posner/books/pages.cgi?call=751.7_W37&layout=vol0/part0/copy0&file=0010

Créditos:
Fotos 1, 2, 4, 11, 13, 14, 15, 16, 17 e 18 - Martin Frost:  http://www.foredgefrost.co.uk/widmer_foredge.htm

Fotos 3, 5 e 12 - Marist College, Archives and Special Collections: http://library.marist.edu/archives/gill/technique.html

Fotos 6, 7, 8, 9 e 10 - Boston Public Library: http://foreedge.bpl.org/gallery

Vídeos 1 e 2 - Martin Frost:  http://www.foredgefrost.co.uk/whatis_foredgeNORM.htm
             

domingo, 21 de agosto de 2011

Uma artista chamada Dimana Wolf


                                                     Foto e livro de autoria de Dimana Wolf
                                                            
     Ao ver esta linda foto na internet,  saí em busca da autora - da foto e do livro!
   Comprei o livro e tive a felicidade de conhecer uma pessoa encantadora, uma artista sensível,  de extremo bom gosto e enorme talento.
     Dimana Wolf é designer gráfica e ilustradora natural de Bobenheim-Roxheim, na Alemanha, que desenha desde que se conhece por gente. É apaixonada por cores, aquarela, arte e livros. Segundo ela: "Eu acredito que cada pessoa vem a este mundo com talento em alguma área. Quanto mais você desenvolver seu próprio talento, mais gente talentosa se acercará de você servindo-lhe de exemplo e inspirando-a."
    O diário (ou sketchbook) exibido na foto e que adquiri, foi confeccionado com tecido de algodão da coleção "Mary Rose Versailles" by Robert Kaufman, estruturado internamente com camadas de vários tipos de tecidos quiltados que conferiram-lhe ao mesmo tempo uma maciez e uma suavidade extremamente agradáveis ao toque. Para o miolo foi usado papel de 120g/m² cortado e tingido à mão para ficar com aspecto de antigo e envelhecido, no estilo Shabby Chic, de acordo com Dimana. A costura da encadernação também foi feita manualmente.

                                                     Foto e livro de autoria de Dimana Wolf                                          

    Além dos livros, ela e eu ainda temos mais uma coisa em comum: gatos! E suas gravuras dos bichanos são um caso à parte! Confiram:

                                                                  "Die Katzen von Paris"
                                               Copyright by Dialno 2010 - Todos os direitos reservados
                          
                                                                 "Katze...WER WEM?"       
                                            Copyright by Dialno 2009 - Todos os direitos reservados  

    E não se preocupem, tanto os livros como as gravuras são bastante acessíveis. O frete idem.
    Para contatar Dimana:  http://dialno.blogspot.com/


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Costura com fitas, cadarços, tiras de couro, etc.



   Relativamente simples de fazer e muito bonitas, as costuras aparentes que utilizam fitas ou tiras de qualquer  tipo de material resistente, reforçam a encadernação e dão margem a muita criatividade. A técnica nada mais é que aquela utilizada na costura com cadarço da encadernação clássica mas que permanece exposta, sem ser encoberta pelo revestimento.
    As variações são muitas e dependem do número de tiras usadas, se a costura é alceada, contínua (long stitch), copta, da variedade e cores do material empregado, das capas (pastas), etc.
    A minha primeira experiência com isso foi neste livrinho azul. Usei a costura contínua (sem enlaçar a linha da costura do caderno anterior). A fita é de cetim, a linha de seda, o miolo de papel sulfite comum branco e o revestimento do cartão cinza é de Vanol "Napoli".


    As guardas são as tradicionais, que uniram o miolo às pastas conferindo maior estabilidade ao livro.



     Para usar guardas revestindo apenas as pastas, como aqui:


é recomendável aplicar um maior nº de fitas pois essa encadernação é delicada e tem que resistir ao manuseio.
     Um tutorial fantástico que não precisa de tradução pois as fotos são em quantidade e tamanho suficientes para que se entenda muito bem o passo a passo dessa técnica é este, de Molly Brooks:

http://winkout.com/wordpress/?p=302

     Em vez de fitas ela usa cadarços e a costura é alceada, ou seja, muito parecida com a contínua mas cada vez que vamos envolver o cadarço com a linha, primeiro laçamos a costura do caderno anterior.
     Reparem que as costuras que no meu livro ficam separadas das fitas, na cabeça e no pé:
 

no livro da Molly são feitas junto aos cadarços, creio que com a intenção de passarem despercebidas e não interferirem no visual que ela programou para a lombada: 
                                                                 
                                                                                                                                
    Onde ficarão essas 2 costuras e como serão é apenas uma questão de gosto do artista; sua função é conduzir a linha, ao final da costura de cada caderno, para o próximo a ser costurado unindo-os (em geral pela cabeça e pelo pé do livro) com um ponto chamado kettle stitch (ponto cadeia ou ponto encadeado):


    Neste outro tutorial vê-se em fotos como ele é feito:


    Vale a pena experimentar fazer um livro como esse pois já se estará treinando uma das costuras mais usadas em encadernação clássica.

    Créditos:  Foto 8 - http://www.aboutbookbinding.com/Bookbinding-46.html 
   

terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Costura Copta"

                         Livro que confeccionei com miolo de papel Vergê branco 80g,  pastas de cartão
                                           cinza Hörlle  revestidas com papel importado e costura com cordão rosa.

    Um dos estilos de costura exposta - aquela que fica aparente ao longo da lombada - mais populares e apreciados que existem é a chamada "costura copta" ou coptic stitch em inglês, que talvez devesse ser mais apropriadamente chamada de ponto cadeia - link stitch.


    Como já mencionado anteriormente (aqui) as encadernações coptas, desenvolvidas pelos primeiros cristãos do Egito, os Coptas, por volta do segundo século AD,  se caracterizam por brochuras (ou cadernos) costuradas pelo lado dobrado das folhas e, quando mais de uma brochura, unidas entre si por meio de costura formada por elos que se encadeiam como se fossem uma corrente, do tipo ponto correntinha:


   Ainda nesse caso, de múltiplos cadernos costurados juntos, capas formadas de várias camadas de papiro ou placas de madeira constituíam seu revestimento, se bem que no caso de uma única brochura é comumente usado o termo "encadernação Nag Hammadi".
    É muito interessante visitar o site da Biblioteca Digital da Universidade de Iowa que disponibiliza para consulta um protótipo desta e de outras formas primitivas de códices no link:

                                    http://digital.lib.uiowa.edu/u?/binding,93                                               

    Esse mesmo termo - encadernação copta - é empregado atualmente para designar encadernações modernas, como esta minha, costuradas no mesmo estilo, onde costuras à mostra fazem parte da estética e do design do livro valorizando-o e conferindo-lhe expressão artística.


   São encadernações que não utilizam cola, as chamadas non-adhesive bindings, cujas técnicas são exaustivamente exploradas e desenvolvidas por Keith Smith em sua série de livros sobre o assunto.



   Uma das vantagens dos livros assim confeccionados é sua extrema flexibilidade permitindo uma abertura de até 360°.

    
  

sábado, 13 de agosto de 2011

Encadernação Japonesa


  No centro 3 livros chineses com encadernação tradicional, 
ao fundo selo esculpido em pedra que comprei na 
 Chinatown de Chicago, à direita pincel de sumi-ê 
de porcelana e xale chinês compondo o fundo.
                                                                          
    Originária da China, é um dos estilos de encadernação mais apreciados e elegantes.
    Derivada inicialmente dos livros em formato de rolo, em sua forma mais simples consistia em se dobrar toda a folha de um rolo como se fosse o fole de uma sanfona, levando por isso o nome de livro acordeon.
 
    Ainda eram acrescentadas duas capas, coladas à primeira e à última páginas.
    Como exemplo seguem-se três livros chineses que adquiri em Nova Iorque alguns anos atrás. O primeiro deles, de 18,5x12,5cm, tem 3 metros de comprimento dobrados em 23 folhas duplas de papel feito à mão de cor marfim e revestimento em seda verde com uma etiqueta para o título de papel com flocos de ouro.

  
    O livro seguinte, de 20x20cm, todo desdobrado tem 5 metros de comprimento. Dobrado tem 50 folhas duplas de cor marfim e o revestimento é em tecido adamascado perolado. Os dois fechos são de osso. As duas primeiras folhas do começo e do fim - as guardas - têm folhas de ouro mescladas na fibra.

                                                                 
    Mas um dos formatos que se seguiu a esse tornando-se  muito popular até hoje é aquele composto de folhas perfuradas e costuradas através desses furos juntamente com duas capas. Dentre essas encadernações a mais básica é a de 4 furos - yotsume toji - em que folhas dobradas no meio são costuradas do lado oposto às dobras. O resultado é que cada folha é dupla e aberta em cima e embaixo. Nas fotos a seguir vê-se bem esse detalhe:


    O papel é feito à mão e todas as folhas têm ou pedacinhos de folhas de ouro ou de prata misturados à fibra. 
    O fato de a tinta usada para escrever - sumi - penetrar nesse tipo de papel parece explicar a necessidade de as folhas serem duplas pois nesse caso o outro lado da folha fica inutilizado.
    A partir dessa estrutura básica de encadernação, dependendo do número de furos e do tipo de costura, se desenvolveram vários estilos diferentes tais como o "casco de tartaruga" - kikko toji - em que a costura se assemelha à forma do casco de uma tartaruga:

                                                                 
ou ainda o "folha de cânhamo" - asa-no-ha toji - que tem esse nome por assemelhar-se à folha da planta cannabis:

                                                                                                                                                   
     Ao cair no gosto da cultura ocidental, a encadernação japonesa popularizou-se entre nós e tem sido adaptada aos materiais disponíveis no nosso meio.
    Há um vídeo em 3 partes no Youtube que não requer tradução por não ter áudio e mostra o passo a passo de um dos estilos de costura japonesa:

http://youtu.be/k9WL3C9rItg (Parte 1)        
http://youtu.be/poDYEZDg6M4 (Parte 2)
http://youtu.be/W5_ESTZNwMQ  (Parte 3)

    O estilo de costura apresentado no vídeo é o Kangxi, cujo nome é uma homenagem a um dos imperadores chineses da dinastia Qing (c.1644-1912). É basicamente o mesmo tipo de encadernação de 4 furos porém acrescida de 2 furos extras nos cantos superior e inferior entre a linha de costura e a lombada:


    Esse reforço adicional torna esse estilo especialmente adequado a livros de maior porte que os convencionais. É claro que no vídeo o revestimento e o  formato das capas foram "ocidentalizados" e o procedimento é meio rudimentar, mas é válido por divulgar e tornar acessível a prática dessa arte.
    O encadernador usou um vazador (furador) manual para fazer os furos.
    Existe no mercado internacional um furador fabricado no Japão que funciona por pressão manual e é especialmente indicado para essa finalidade:


    Pode ser encontrado nas lojas dos links listados no blog e tem vários tamanhos de vazadores adaptáveis à ponta. Mas é preciso fazer uma certa força para furar o miolo com os furadores manuais!
    Ainda podem ser utilizados aqueles vasadores para couro, cintos, etc., em que se bate com um martelo para fazer o furo:

                                                                         
    Já eu, prefiro usar as mini-retíficas do tipo Dremmel  (em velocidade média para não queimar o papel). Prendo (com uma cinta de papel fixada com fita adesiva) as capas junto com o miolo (já enquadrados no lugar certo)  numa prensa especial feita pelo Sr. Hélio (aqui)  para esse propósito:

                                                                                  
e já furo tudo de uma vez.
    Mas, segundo Beth Csuraji, minha querida professora na ABER, o ideal é usar este tipo de furadeira manual (1/4"):
    Com ela é possível  tanto escolher, por meio da broca utilizada, o tamanho do furo que faremos quanto controlar a furação para não danificar o livro. Com as furadeiras elétricas, devido à rapidez de rotação, não se tem tanto controle do processo. Estas furadeiras custam em média R$ 16,00 e podem ser encontradas em lojas de ferramentas como as da Rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, ou na internet. E existe mais de uma marca disponível:

    Outro modelo, o da foto abaixo, embora muito bonito e moderno não funcionou para mim. Ele não tem robustez suficiente para furar um bloco de papel. Aconteceu que a broca ficou presa no bloco durante a furação e quando puxei o aparelho saiu na minha mão mas a broca continuou lá  tendo que ser tirada à força  (e muita!) com um alicate. Quase arruinei o trabalho. Acho que ele serve apenas para furar materiais menos espessos como o papelão cinza das capas, por exemplo.

                                                               
    Eis alguns de meus trabalhos com costura japonesa:


    Um dos melhores livros sobre essa técnica é:

    "Japanese Bookbinding - Instructions from a Master Craftsman" de Kojiro Ikegami.   

    Créditos: Foto  2  - Musician's Friend
                       Fotos 17 e 23 - Talas
                 Foto 21 - Importadora Eda 
                       Foto 22 - bazarfacil.com